sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O problema é a escolha




Não costumo ser partidário de quase nada, defender algo com unhas e dentes para satisfazer uma espécie de ego coletivo. Prefiro não fazer parte de uma tribo, ser fanático por uma marca, militante de ideia imutável, resumindo: ser um desses insuportáveis xiitas. Nunca gostei, só não sei se é por receio ou convicção. Acho que é por convicção. Prefiro ser um lobo solitário, por isso não busco conforto em multidões - também nunca bebo nada com canudinho, não uso camisa xadrez a jamais compraria um carro automático, mas isso não tem nada que ver com o assunto - só me orgulho disso também. Sempre penso em nossos ancestrais, que comiam carniça, e temo desapontá-los. - Ui, que nojo esse seu Android.

Falando nisso, taí um excelente exemplo: a "guerra" dos sistemas operacionais para smartphones. Ou você tem um maldito "i" qualquer coisa, ou você tem um Galaxy qualquer coisa. Não importa, você tem que idolatrar o seu e achar o outro desprezível. Virou questão de honra, não importando muito o que aconteça, defensores da marca viraram ovelhas, como vi em um comercial desses. Transformaram meras concorrências em guerras - guerras bastante idiotas, diga-se de passagem. Então eu penso: mas quem foi mesmo que alimentou toda essa bobagem? Por que os aficionados por iOS são tão babacas e os de Android vivem tentando provar que não são, quando também são? Acho que tenho uma resposta.

A sociedade sempre vai te cobrar uma posição, qualquer posição, moderno ou clássico, republicano ou democrata, Chico ou Caetano, Schumacher ou Senna, Mac ou PC, capitalismo ou socialismo, rock ou samba, Playstation ou Wii, Garantido ou Caprichoso. É fácil de entender, está inveterado na nossa história, aprendemos a gostar disso, evidenciamos essas diferenças. Não basta ter um lado, tem que lutar por ele, ignorando a racionalidade, o bom senso. Quando estamos incondicionalmente de um lado, a tendência é procurar argumentos que nos convenham, destacar as falhas do outro, ser imparcial e até certo ponto, leviano. Por isso não gosto de conceitos pré-definidos. Emburrece. O presidente Barack Obama disse em certa oportunidade: "Não existe uma América liberal e outra conservadora; existe os Estados Unidos da América."

A indústria se aproveita muito bem disso, e cria essas rivalidades bestas. Não me interessa se a Apple é melhor ou pior do que a Samsung, se os seus celulares são mais ou menos cherosos, até porque eu não entendo bulhufas de nada. Só sei mesmo é como se prepara um verdadeiro molho para cachorro-quente. O segredo está na ordem de mistura dos ingredientes, não exagerar no azeite e saber a hora certa de diminuir o fogo. Voltando, quase ninguém sabe direito sobre o que está falando, só para se ter uma ideia, dentro de um celular existem mais de duas mil patentes. As pessoas defendem coisas que não entendem, colocam todo o seu ódio a serviço de coisas irrelevantes, banais - pelo amor de Deus, é só um celular! Por mais que eu me esforce, não consigo entender direito o que toda essa gente pensa.

Dias desses vi dois animais da nossa espécie brigando no avião. Época nobre de eleição, sabe como é. Cada um com seu candidato, elevando-os ao status de deuses gregos da honestidade, verdadeiros Aeacus - quando na verdade eram ícones de uma das nações mais corruptas que se tem notícia. Por isso eu não caio nessa, não me importo nem um pouco quando meu argumento perde o valor, se achar que devo, mudo de lado sem pestanejar. Radical demais?! Não. Apenas tento não levar para o lado pessoal, não sigo mandamentos, não pertenço a tribos. Sou uma metamorfose ambulante.

Falo tudo isso porque não concordo com este vídeo que o canal World Wide Interweb fez para satirizar o comercial do Internet Explorer 9.0.

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