quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Filme chocante sobre doação de órgãos


Ser ou não ser um doador de órgãos, eis a questão. Este não é dos assuntos mais simples, quase impossível manter-se imparcial, arriscaria dizer. Dia desses estava conversando com um amigo que não é doador, quis saber o motivo e ele foi direto: tenho medo de me roubarem os pulmões. E, de fato, existe um mercado sombrio por trás das filas de transplantes. Há quem afirme que médicos pilantras deixam de salvar seus pacientes para receber comissões pelos órgãos "doados". E como não tem como garantir que um dia você não será operado por um desses pilantras, o argumento não deixa de ser válido.

Também tem o receio quase infantil das pessoas acharem que chegarão em outra vida lhe faltando as córneas. Imaginem a cena. São Pedro lá na porta do paraíso, você na fila e ele fala: - Cadê teu olho? Não vai entrar! (Lembrei dessa entrevista aos 11min25seg. e achei engraçado.) Mas ainda que pareça piada, tem gente que acredita nisso. Mais um argumento para não doar, alegam. 

Eu me considero um poço artesiano de ceticismo, por isso não consigo ver muita diferença entre os seres humanos e um pé de jaca. Pra mim, é tudo da mesma origem orgânica, nascem, crescem e morrem - a diferença é que uns têm consciência, outros não (e não estou me referindo à Mulher Jaca). Deixo ideias de vida post mortem para quem tem imaginação fértil. Sendo assim, sou um doador convicto, quando bater as bolas, podem me tirar tudo o que ainda estiver prestando.

Tudo isso devidamente revelado, quero dizer que gosto de prestar atenção em filmes publicitários que colocam o assunto em pauta. Reparo muito nos apelos utilizados, e como tentam derrubar os argumentos que as pessoas insistem em manter (esses aí de cima). Na minha visão que não serve para muita coisa, há poucas coisas nesse mundo que sejam tão nobres como doar um pedaço de si. Fico pensando na alegria da família, no alívio de quem recebe uma nova vida. Como podem não doar?

Sei da história de uma pessoa muito doente que aguardava na fila de transplantes. Em sua última semana de vida deu entrava no hospital que ela estava um homem vítima de acidente de trânsito. Ele morreu horas depois, e em seu documento de identidade constava que ele não queria doar seus órgãos. A pessoa que esperava morreu dias depois. Então eu lembrei desse filme. No fime ele termina com a frase: "se você não é um doador, quando morrer vai levar alguém junto com você". A criação é da agência Lowe Bull (África do Sul) para a Organ Donor Foundation.

1 comentários:

Anônimo disse...

Simplimente lindo. A escolha da música, as vozes, cria um clima tocante.

KelleyOzz