terça-feira, 27 de março de 2012

Tênis, Michel Teló e CQC: o que está por trás do mero entretenimento?




Quem me segue no Twitter já sabe que eu sou fã de tênis. Vivo enchendo o saco dos meus seguidores informando parciais de jogos, quem tem o melhor backhand, palpites idiotas e por aí vai. Sempre que tuíto alguma coisa sobre o assunto, perco lá meus cinco ou seis followers. Confesso que para quem não gosta, o esporte é um enorme marasmo. Ainda bem que muita gente gosta. E como estamos falando de um esporte com muitos fãs pelo mundo, principalmente no Brasil pós-Guga, quero compartilhar uma análise que fiz.

Como devem ter visto, neste último fim de semana eu postei a cobertura que fiz do excelente whorshop sobre Brand Entertainment e Transmídia que o Papo Criativo realizou. Falamos que a comunicação 360º de uma marca está evoluindo para um conceito bem mais contemporâneo, onde vender um produto ou ideia passa a exigir um esforço bem mais cuidadoso de marketing. Contar uma história onde a marca está sutilmente alocada é bem mais eficiente, a longo prazo, do que investir apenas nas mídias mais tradicionais. Se não viu, volte alguns posts e entenda melhor o que quero dizer.

Usei dois parágrafos para a introdução porque acho que temos um belo caso de Transmídia aqui, no tênis. Para quem não sabe, no final do ano o Brasil receberá a ilustre visita de dois dos maiores tenistas da atualidade: o sérvio número 1 do mundo, Novak Djokovic e o suíço Roger Federer, atual número 3 e considerado por muitos entendidos do assunto como o maior tenista de todos os tempos. Eles virão aos trópicos para partidas de exibição - só não sei ainda quando, contra quem e quanto custarão os bilhetes. Aguardemos.

Isso tudo dito, me chamou a atenção dois acontecimentos que vi ontem a noite enquanto assistia ao Master 1000 de Miami. Depois da vitória de Djokovic sobre o seu compatriota Viktor Troicki, vieram então os protocolos de sempre: cumprimento dos jogadores na rede, cumprimento ao árbitro de cadeira, o vencido recolhendo sua traia e saindo o mais rápido possível da quadra enquanto o vitorioso agradece ao público. Depois o vencedor do embate senta, faz algumas caras e bocas e só então assina a lente da câmera. Poços de etiqueta que são, os tenistas sempre cumprem todos os procedimentos à risca. Mas ontem algo de diferente aconteceu.

Djokovic rubricou a lente enquanto ouvia-se ao fundo o hit grudento de Michel Teló que ganhou o mundo. Djoko, como gosta de ser chamado, aproveitou e mandou um "ai se eu te pego" na lente, em português mesmo, para o mundo inteiro ver. Mas, antes disso, arriscou até uns passinhos micheltelonianos. Claro que isso virou notícia no meio.



Até aí tudo bem, foi só uma graça do sérvio - que tem fama de ser o mais irreverente do circuito. Mas enquanto isso, rolava o CQC na Band, e Marcelo Tas anunciava uma matéria internacional com Felipe Andreoli. O repórter estava em Miami acompanhando o segundo Master 1000 da temporada. O entrevistado da noite era, nada mais, nada menos, que Roger Federer. Num tom bastante natural e descontraído (Federer é o garoto-propaganda perfeito para essas situações), falaram de quase tudo: jogadoras atraentes, como é ser o maior de todos, Rafael Nadal, quebra de raquetes e, claro: sua vinda ao Brasil.



Voltando ao começo do post: Transmídia. Djokovic assumindo que curte Michel Teló e Federer dando toda a atenção do mundo a um humorista brasileiro é um claro sinal de que uma história sendo contada. Tudo isso gera buzz, cria um enorme laço de afinidade com o brasileiro, ajuda a transformar consumidor em fã. Cria-se uma expectativa enorme em cima da coisa toda. Jamais se esqueça: um produto precisa ser vendido por trás de todo esse entretenimento.

Como Wladimir Winter disse em seu curso, Transmídia é a soma de várias audiências diferentes dentro do mesmo assunto. Tênis e propaganda têm muito mais em comum do que você, que não gosta do esporte, possa imaginar. Se você é publicitário(a), sugiro que não tenha preconceitos.

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