sábado, 20 de agosto de 2011

Diário de viagem | As aventuras de um publicitário disfarçado de turista

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(Continuação do post anterior)
(Monza) 08/08
7h45 - Já falei aqui da minha paixão pela Fórmula 1, e se pensarmos que há muito tempo ela - a Fórmula 1 - deixou de ser esporte para virar apenas um negócio frio e mesquinho, diria que trata-se de uma paixão bem idiota. Mas já que estávamos baseados em Milão e consequentemente nos encontrávamos muito próximos de um grande templo da Fórmula 1, resolvemos ir conhecer o mitológico autódromo de Monza. E o plano era bem simples. Alugar um carro, pegar a estrada para Monza, conhecer tudo o que fosse possível e voltar para o hotel no fim do dia felizes da vida. É, o plano era bom, mas na prática foi uma lambança.

8h19 - O mocorongo aqui, ao reservar o carro pela internet, não clicou na opção "Deseja incluir GPS por 17 Euros a mais?". Na hora eu converti para reais brazilianos e pensei: quem precisa de um maldito GPS? Conheço esse país como a palma de quem me cobra o aluguel. Não imaginava que não ter optado pelo GPS me causaria tantos problemas em um espaço tão curto de tempo.

8h36 - Só depois que deixei a garagem da locadora Hertz guiando um Volkswagen Polo prata movido à diesel foi que notei que tinha feito uma grande merda. Sequer tinha saído do prédio de estacionamentos e já estava completamente perdido. Sabia apenas que deveria ir para o Parco di Monza, mas não tinha a mínima noção de qual rumo deveria tomar. Olhei para a posição do sol, me orientei da forma mais primitiva possível e tentei lembrar do Google Earth - noroeste, eu acho. Duas horas e quarenta minutos se passaram e eu ainda estava dentro de Milão rodando igual a uma barata vesga. Foi então que avistei a primeira placa para Monza. Agora vai!

11h24 - Quatro minutos depois eu estava ainda mais perdido, a placa indicava para o residencial Monza, claro! E já que eu estava na Itália, lembrei do velho ditado: quem tem boca, vai a Roma. Vai, se falar italiano. Nem o ditado me dava esperanças de achar um rumo. Pedi informação para pelo menos 15 pessoas, todas, e absolutamente todas, deram informações desencontradas. Aquilo estava se tornando uma maldição. Meu medo já não era mais não achar o autódromo, temia não encontrar o Brasil para voltar um dia.

11h49 - Num golpe de pura sorte caímos na Viale di Monza, e nela tinha umas plaquinhas toscas com o símbolo de um Fórmula 1. Isso, deveras, foi uma imagem que jamais me esquecerei. O Mar Vermelho se abriu e seguimos as plaquinhas confiantes, havíamos encontrado uma luz no fim do túnel (que clichê isso).

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Meu pai e eu, fotografando no centro da pista. Não deve ser um bom lugar para se estar na hora da largada.

12h18 - O Autódromo Nazionale de Monza é considerado pelo Glavão por muitos entendidos do assunto como o grande templo da Fórmula 1. Nenhum piloto é considerado grande se não vencer em Monza - uma teoria bastante questionável, já que Rubinho venceu lá - e por duas vezes, em 2002 e 2009. Duvida? Eu sei, é difícil de acreditar numa sandice dessa, mas veja a prova nos vídeos a seguir:


Em 2002, com Schumacher no cangote.


Em 2009, com o Galvão quase chorando na narração.

13h11 - O sol cozinhava o asfalto sagrado do circuito italiano quando eu pisei no que conhecemos como a grande reta - a mesma reta do "Rubens, Rubens, Rubens Barrichello do Brasil!". E já que estamos falando de um verdadeiro santuário automobilístico, confesso que fiquei um pouquinho decepcionado com a coisa toda. Santo Deus, é Monza! Pensava enquanto ia caminhando e encontrando diversas imperfeições na pista. Na tevê é tudo muito mais maquiado, ali é só uma rua asfaltada com umas arquibancadas bestas.

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E tem gente que critica Jacarepaguá.

14h - Fora isso, admito que era um dia de sorte. As cinco pratas europeias que pagamos para visitar o parque nos deram o privilégio de acompanhar um teste de pneus da Pirelli. Lá tinha um cidadão dando umas voltas com um carro de turismo - um Porsche, se não me engano. Foi indescritível a sensação de estar na pista vendo um carro de corrida passar ao nosso lado a 300 km/h. Indescritível e bem estúpido, confesso. Se fosse um Katayama da vida que estivesse pilotando o risco seria imenso. Por sorte, apenas desfrutamos um pouquinho do prazer que esse esporte/negócio proporciona aos seus milhares de amantes.

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Não sei o que escrever nesta legenda, pensando bem, por que diabo estou colocando legenda nas fotos?

16h08 - Voltei a Milão com a certeza do dever cumprido. Vi Monza de um ângulo que jamais me fará assistir à uma corrida Fórmula 1 com os mesmos olhos. A partir de agora, sempre que eu ver alguma coisa com muito fru-fru na tevê não vou conseguir deixar de imaginar que aquilo certamente está cheio de Photoshop. De qualquer forma, a lição que eu aprendi nesse grande dia foi: pague a mais pela porra do GPS!

(Continua no próximo episódio).

2 comentários:

Gabriela Araújo disse...

Eu e minha tia falamos a mesma coisa quando nos perdemos em São Paulo... huahauhahu boa historia!

Anônimo disse...

Pague a mais pela porra do GPS!! kkk gostei da historia!