sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Diário de viagem | As aventuras de um publicitário disfarçado de turista

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(Continuação do post anterior)
(Veneza) 07/08
5h50 - Ir a Itália e não visitar Veneza seria uma tremenda estupidez. Cientes disso, decidimos que o domingo seria o melhor dia. Nosso trem sairia da imensa estação central de Milão as 6h35min – e não seria nem às 6h34, nem às 6h36 - era às 6 horas e 35 minutos, precisamente. Foi o que fez questão de frisar o simpático italiano que me atendeu no balcão da Trenitalia - popular companhia de trem daquele país. Eu confirmei tudo com o meu italiano de araque e garanti que estaria no local combinado para o embarque. Mas para o nosso sufoco naquela manhã, acordamos atrasados e pela primeira vez na vida eu vivi na pele a expressão “correr para não perder o trem”.

6h35 - Eu imaginava que em determinado momento da viagem teria que apresentar meus bilhetes que custaram pouco mais de 60 Euros. O que seria bem normal, diga-se de passagem. Mas me impressionei de verdade com o fato de não ter sido abordado por nenhum funcionário da Trenitalia durante todo o trajeto. Fui sem ter que provar a ninguém que paguei pelo direito de usar aquela poltrona. Ainda não me acostumei com essa relação de confiança que eles mantêm com as pessoas naquele continente. Sempre pensei que o mundo não tinha mais solução.

9h10 - A Estação Santa Lucia é uma das duas estações de trem que existem em Veneza, a outra chama-se Mestre e encontra-se na parte da cidade que fica em terra firme. Se optar pela primeira, cairá dentro de Veneza e terá logo de cara uma linda vista como cartão de visitas. Se optar pela segunda, se arrependerá pelo resto da vida - trata-se de uma estação distante e feia. Veneza nos foi apresentada naquele inesquecível 7 de agosto de 2011, um lugar que merece a enorme fama que tem.

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9h35 - A estratégia que adotamos para conhecer a mundialmente famosa “sereníssima” foi bem peculiar. Falamos apenas: vamos nos perder aqui. E assim o fizemos. Nos embrenhamos sem rumo por seus belíssimos guetos, canais, museus e monumentos. Nada ali era feio, passeamos pela praça e Basílica de São Marcos, pela zona ribeirinha, o grande canal - que é a maior via aquática de tráfego da cidade - a famosa ponte de Rialto até desaguarmos no Mar Adriático. Sem dúvidas, é um bom lugar para se perder.

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12h40 - Almocei um espaguete preto – ou algo muito parecido com isso. Também existe a remota possibilidade de ter sido alguma espécie exótica de minhocuçu. Prefiro a dúvida. A garçonete era uma holandesa absurdamente simpática, que estava ali trabalhando por hobbie. Não sabia que existe gente que trabalha por hobbie. Pensando bem, que maldito hobbie é esse? Perguntei a ela se conferia a informação que na Holanda todo mundo fuma maconha. E a partir desse momento ela deixou de ser simpática e me serviu os minhocuçus. Pelo menos eu bebi a melhor Beck's do mundo.

13h55 - Dito isso, duas impressões que eu tive sobre Veneza: 1, é uma cidade surpreendentemente grande e não apenas aquele cocozinho bonitinho que eu imaginava. E 2, pessoas estranhas surgem de todos os lados. Tem todo tipo de bípede caminhando e navegando naquele pedaço de planeta, desde russos, americanos, equatorianos, neozelandeses, angolanos, até japoneses, canadenses, franceses e se procurar bem, até alguns alienígenas. Decididamente, um lugar que recebe muitos turistas torna-se um grande pé no saco. Pra tudo tem uma fila, falta oxigênio, é quente, fede, as coisas são caras, e das duas, uma: ou alguém sempre esbarra em você a cada 30 metros, ou alguém pede pra você tirar uma foto dela a cada 30 metros.

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16h30 - Começou a chover quando eu tive a segunda grande ideia de jerico do dia. Sugeri a todos que tirássemos os sapatos e colocássemos os pés nas geladas águas do Adriático. Não sei qual é a graça disso, só serviu para enlamear tudo e causar um novo desconforto ao grupo.

17h51 - Comprei alguns vinhos da Toscana em uma espécie de tenda móvel, tava lá o cartaz reluzente: Vinho da Toscana: € 8. Cacilda, que barato! Pensei. Uma água custava 2,5. Depois converti para Reais e vi que não era essa pechincha toda. Aprendi com as baianas de San Siro/Giuseppe Meazza que na Europa existe apenas uma regra que diz que quem converte não se diverte. Parei de converter e comprei 5 garrafas do legítimo vinho da região de Florença (pelo meu eu acho que são legítimos) e os coloquei na mochila. A partir dali virei uma mula pelo resto do dia, aquilo pesava mais que um saco de cimento molhado.

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19h45 - Voltamos para Milão em um desses famosos trens de alta velocidade, que sinceramente, parecia ter a mesma rapidez de todos os demais. Puro marketing para cobrarem mais caro pela passagem, suspeitei. E falando em passagens, pergunte-me se alguém precisou apresentá-las na volta? Mundo esquisito, esse nosso.

(Continua no próximo episódio).

2 comentários:

Anônimo disse...

Seus textos ficam melhores a cada dia... parabens... e que viagem hein! gostaria de ter ido tbem, nem que fosse na mala rs

Anônimo disse...

Esta garota e sua namorada? que gata hein! parabens.