terça-feira, 1 de março de 2011

O blog, o leitor e a propaganda no meio

Eu acesso muitos blogs diariamente, para trabalhar ou por pura diversão mesmo (é que eu me divirto muito trabalhando). E o que mais gosto de ver, além do conteúdo, óbvio, é como as pessoas se sentem “donas” de cada post publicado. É claro que a intenção, lá atrás da era “2.0”, era justamente essa: a inclusão social das pessoas, para que essas mesmas pessoas tivessem poder e pudessem, finalmente, dialogar com quem entregasse ou vendesse qualquer tipo de informação ou produto. Porém, todo esse “poder”, junto à extensa quantidade de informação, tornou-nos, leitores, um tanto exigentes demais, ou seja, chatos.

Adoro ler os comentários de todos os blogs que acesso só para ver a relevância deles, ou apenas a coerência. E na grande maioria das vezes, o sentimento de posse acaba indo mais longe do que o normal. Digo isso porque, além de acessar blogs, gosto muito de publicidade. Da propaganda. Seja ela considerada tradicional ou nova. E a grande polêmica da vez, ou, pelo menos, de todas as vezes em que percebi, é como essas malditas propagandas são odiadas pela maioria dos leitores que comentam.

Nem me lembro da quantidade de discussões ou polêmicas levantadas por um post patrocinado. E o que mais me impressiona é que, independente do conteúdo, a propaganda é crucificada. Ah, tadinha da propaganda. Não, não estou defendendo aqui a proliferação desenfreada e sem nenhum critério da publicidade. Eu só estou dizendo que é justo um blogueiro vender seu espaço para quem quer que seja, da forma que ele achar melhor. Da mesma forma que é justo o leitor do blog não gostar dessa propaganda. Eu só acho estranho reclamarmos daquilo como se algumas linhas ou imagens pudessem ofender tanto assim. Será que todas as vezes em que andamos na rua e olhamos para aquelas placas com grandes imagens de carros ou refrigerantes nos ofendemos também? Ou todas as vezes que ouvimos ou assistimos a um comercial de rádio ou TV? E as camisetas, com a marca estampada no peito? Os APPs de celular? Será que andar em um supermercado, shopping ou em um boteco qualquer pode ser tão ofensivo assim? E quando alguma marca entra bem no meio daquele filme que tanto nos interessa?

Acredito muito na troca justa. E se um blogueiro quer vender um espaço do seu, e só seu, blog, é justo. Até porque não estamos pagando nada por aquele conteúdo. E, para mim, essa conversa de não acessar mais porque o fulano “está se vendendo”, ou que vai “desfavoritar” porque o blog tem muita propaganda, é o exemplo mais claro de como nos tornamos mal-acostumados. Mimados mesmo. Como se aquilo fosse capaz de anestesiar a mão e o cérebro a tal ponto de não conseguirmos apenas pular para o próximo post, ou mesmo perder um segundo vendo a famigerada propaganda. Vai que ela é bacana?

Ao contrário de alguns, eu acredito sim que a embalagem é importante. Que a capa do livro conta, e muito. Mas acredito também que o conteúdo é e sempre será o que realmente importa. Então, antes de chorarmos e espernearmos quando um blog que gostamos estiver vendendo alguma coisa, vamos tentar continuar no que interessa, ou apenas “pegar nosso dinheiro de volta na saída”.

Adelino Neto não é blogueiro, mas é publicitário. Só podia.

1 comentários:

ana.ngrs@hotmail.com disse...

É verdade, nunca tinha parado para pensar sobre algumas coisas citadas.
Quanto a capa do livro, concordo plenamente, esse é um fator que me influência em 99% na hora de excolher entre certos livros.
Será que você poderia me indicar esses blogs que entras frequentemente? Tenho muita curiosidade em ler e saber mais sobre publicidade.
Obrigada.