quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Muito mais polêmico do que criativo | 41

(Passe a mostarda) - Agora eu vou falar de um negócio que realmente me interessa: ateísmo. Acredite, o assunto está entrando na moda - se é que já não entrou. Os tempos estão mudando, e como acontece em qualquer movimento, o que falta aos ateus é apenas um líder, um elemento que saia do armário e traga com ele uma multidão pessoas que não conseguem alinhar sozinhas suas ideias. Mais ou menos o que Renato Russo fez com o rock brasileiro nos anos 1980, ou o que Gandhi representou para os ativistas democráticos. Mas como o assunto é delicado e envolve muitos tabus, vamos por partes. Mas antes, um pequeno aviso: vivemos em um Estado Laico, teoricamente. Se você é dono da verdade e tem todas as respostas do mundo, prefiro que não continue lendo. Por favor.

Recentemente a ATEA (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos) tentou divulgar a seguinte campanha nos ônibus de Salvador e Porto Alegre.











O lançamento da campanha ocorreu pouco depois de o Ministério Público Federal ajuizar ação civil pública contra o jornalista José Luiz Datena pedindo retratação de suas afirmações ofensivas contra ateus.

Mas antes de pregarem o primeiro adesivo nos busões (essa palavra existe?) a campanha foi barrada por uma lei municipal que proíbe campanhas que favoreçam ou estimulem qualquer espécie de ofensa ou discriminação religiosa. Outro motivo foi a alegação das empresas responsáveis pelos anúncios que temiam a reação do estado e dos empresários de ônibus. A Atea se defendeu dizendo que seu objetivo era apenas tentar diminuir o enorme preconceito das pessoas contra os ateus. Como não foi ouvida, ela prometeu armar um pequeno barraco na justiça, já estão até arrecadando fundos no site.

Não tem como negar que o argumento da proibição é válido - é uma lei, e deve ser respeitada. Mas por que essa lei existe? Daí, meus amigos, o buraco é bem mais embaixo.

É sempre muito difícil ficar imparcial nessas situações, até porque a sua incontestável educação religiosa faz com que você não analise os dois lados com os mesmos critérios racionais. É natural. Mas como eu disse, este é um assunto que muito me interessa. Por isso, desde os meus primeiros anos de consciência de sociedade, eu busquei não me acomodar com as regras ditadas por qualquer que fosse a organização. Eu queria ser um descobridor, como Magalhães, ou Truman Burbank, que fosse. Afinal, me incomodava profundamente o fato de não entender o sentido das coisas. Até num postulantado franciscano me enfiei certa vez tentando entender a um pouco mais dos princípios da toda-poderosa Igreja Católica - uma experiência bem válida, diga-se de passagem. E não digo isso por causa do vinho à la vonté, nem pelo futebol aos sábados.

Mas ainda assim, continuo com as mesmas dúvidas de muitas pessoas que eu conheço. Quem diabos - trocadilho não é blasfêmia - é Deus? Quem colocou tudo isso para funcionar? Foi Ele que apertou o play? E quem foi o fornecedor do material do botão do play? Espíritos existem ou somos apenas um bando de células vagando por aí até virarmos comida de rinoceronte? Chico Xavier e Zibia Gasparetto psicografavam o que, exatamente? E qual é o propósito, exatamente? Qual era o maldito problema de Charles Darwin? Fantasmas existem? Quem escreveu o destino? A propósito, existe destino? Existe mesmo o livre arbítrio?

E sabe o que esta me matando depois de todas essas perguntas? Chegar aos 30 anos e descobrir que nem o Google sabe qual é o sentido das coisas. Tudo depende da forma como você encara tudo isso.

Ninguém precisa se sentir inferior porque não tem as respostas. Saiba que existem pelo menos 200 teorias que tentam explicar de onde viemos e para onde vamos. Por isso eu considero o comercial do canal Futura é perfeito: Você pode pensar muitas coisas, a única coisa que você não pode fazer, é não pensar. As pessoas fazem guerra por causa da religião, jamais aceitariam mudar sua fé, livrar-se da doutrinação. É pecado. E quando não existe guerra o que mata é o cara que insiste em permanecer cego, casmurro, que prefere não pensar, não filosofar. Para Sócrates uma vida sem reflexão não merece ser vivida. E o que não falta por aí são pessoas que repetem feito papagaios que não dirão falso testemunho contra o próximo, mas também não fazem ideia de onde fica o Monte Sinai. É uma fé fabricada, fútil, vazia, praticada por não praticantes convictos. A verdade está muito mais distante para essas pessoas. A propósito, alguém sabe onde está o sepulcro de Moisés?

Por mais lógico que isso possa parecer, deve-se lembrar que a religião é criação do homem. Os primeiros pais da fé (eles se asseguraram de que não haveria mães) viviam em uma época de enorme ignorância e medo. A religião vem de uma época da pré-história humana em que ninguém tinha a menor ideia do que estava acontecendo. Vem da infância assustada e chorosa de nossa espécie e é uma tentativa infantil de atender a nossa inescapável necessidade de conhecimento. Hoje, qualquer criança desinformada sabe sabe muito mais sobre a ordem natural que qualquer dos fundadores da religião.

A Igreja Católica monopolizou o conhecimento por vários séculos, proibindo e censurando livros, silenciando dissidentes, condenando estrangeiros, invadindo a esfera privada e invocando uma salvação exclusiva. Mas hoje, felizmente, essa forma de totalitarismo está falindo. Isso fará com que as pessoas passem a pensar por conta própria, comecem a questionar coisas até então bestas, como o tamanho do universo, o tamanho do átomo, a existência do Bing Bang, etc, etc, etc. A tendência não é encontrarmos respostas muito concretas, apenas fazermos ainda mais perguntas. Ter uma vida de reflexões sem a necessidade de um plano divino. A vida pode funcionar perfeitamente sem essa suposição. Em outras palavras, a filosofia começa onde a religião termina. As pessoas não entendem que a decência humana não deriva da religião.

Dois livrinhos legais para incluir na sua Lista da Bota: Deus não é grande (Cristopher Hitchens) e Explicando Deus numa corrida de táxi (Paul Arden). Leia nessa sequência, primeiro Hitchens, depois Arden. Depois conversamos com mais calma. Aproveite e não leve muito a sério essas coisas que Dan Brown escreve. E por Deus! Parem de boicotar as campanhas ateístas. Elas devem existir. Apenas melhorem essa direção de arte.

3 comentários:

iGu disse...

Muito legal, saber que podemos escolher o nosso caminho...o que devemos acreditar ou não acreditar, acho isso fantástico.... Mas" Eu Não tenho fé suficiente para ser Ateu"(um ótimo livro de Norman Geisler & Frank Turek )... viver por viver e sem nenhuma esperança!! Mas todos tem escolhas, e isso Deus permiti muito bem.... Na Bíblia em Romanos 1:19-20 diz: pois o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles(os homens) porque Deus lhe manifestou, pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, tem sido visto claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis.
Acho que realmente a religião mata, mas o verdadeiro Deus, o Deus da bíblia, que ensina a viver relacionamento intimo com ele, quer dar vida e vida em abundância, agora nos homens temos a tendência a fazer do nosso próprio jeito....
Mas acho massa debater sobre isso... Acho bom questionarmos aonde realmente temos que depositar nossa Fé...
Abraço

Lucas disse...

Essa é uma campanha preconceituosa pedindo o fim de um preconceito, Adolf Hitler não é o exemplo de pessoa religiosa, porque não colocaram Mahatma Gandhi ou a madre Tereza,que fizeram pelo mundo o que a ATEA não faz, ou qualquer pessoal que realmente acreditava em Deus, qualquer que seja.

O preconceito contra Ateus existe sim, más também há o preconceito contra religiosos.

E também a ATEA é uma associação que visa a defesa apenas dos ateus e agnósticos contra o preconceito e não prega o fim do preconceito contra religiosos exercido fortemente por ateus, também.

O fim da discriminação só se dá pela aceitação mútua e do livre arbítrio, sei que o apresentador Datena errou - em partes já que as pessoas que estão na cadeia realmente não têm Deus no coração que, é uma bronca dessa campanha - enfim, invariavelmente da religião, crença ou opção, o respeito deve ser superior a qualquer diferença, lembrando que a teísmo e o ateísmo surgiram com o homem e devem ter uma harmonia para que outros Datenas não falem o que não devam e que ateus não façam campanhas apelativas e preconceituosas. Isso não resolve um debate razoável, o Datena já criticou a Igreja Católica no ar e não houve essa guerrinha desnecessária, se ele errou mostre-se maior e perdoe-o, você não precisa de um deus para isso.

Nada contra os ateus más existem muitas igrejas ajudando pessoas que necessitam com projetos, pastorais, iniciativas ou qualquer outro nome, que deveriam ser apoiadas e não criticadas - como pastoral do menor, que combate o abuso e as más condições de menores em lugares abandonados pelo governo. - A religião não impede pergunta, más há perguntas que não devem ser feitas, pelo bem de sua sanidade, aqueles que perguntam demais, procuram cada vez mais perguntas, e fazem de tudo para responde-las, até mesmo criar um deus ou destrui-lo.

Não é uma critica aos ateus e sim à ATEA que deveria preocupar se com coisas mais importantes, já que você não vê imagens de Jesus pregado nas ruas ou de qualquer outro profeta ou deuses pagãos e sim Igrejas agindo de diversas formas ajudando a construir um mundo mais humano, independente de críticas.

E como considerações finais deixo essa reflexão, na verdade não me recordo integralmente mas em resumo é :
“Não existe escuridão, existe ausência de luz.
Nem frio, apenas ausência de calor.
Tampouco existe o ódio, o desrespeito, a maldade, a violência, existe a ausência de amor", isso prega todos os livros sagrados "modernos", no caso a Bíblia, o Alcorão, o Torá, etc... Más independente disso, quantos vezes as igrejas já não foram ofendidas?

Mesmo assim, para um devoto real você será perdoado mesmo que não queira e não será alvo de critica, sermão talvez, mas nunca crítica, porque quem critica não ama e não perdoa independente da espiritualidade.

Lutar e protestar pelo seu espaço e individualidade é egoísmo, lutar por um mundo melhor é fé não necessariamente em deus, qualquer que seja, mas em si mesmo e no amor para com seu próximo visto que somos iguais, indiferente à sua crença pessoal ou opção tanto sexual, quanto espiritual, política, filosófica ou qualquer outra que tenhas feito.

Perdoa e ama por um mundo mais humano, chega de rancor e mágoa, chega de guerras e tristeza.

“Não tente adivinhar o que as pessoas pensam a seu respeito.
Faça a sua parte, se doe sem medo.
O que importa mesmo é o que você é.
Mesmo que outras pessoas não se importem.
Atitudes simples podem melhorar sua vida.
Não julgue para não ser julgado...
Um covarde é incapaz de demonstrar amor
- isso é privilégio dos corajosos.”
Mahatma Gandhi

Anônimo disse...

Seia loucura extrema imaginar um Universo tão perfeito sem as mãos de Um Criador Supremo por trás de tudo. Recomendo a ATEA a se preocupar mais com outras coisas mais importantes do que ficar apelando com campanhas sensacionalistas que nada tem a acrescentar.