terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O posicionamento Gay Friendly da Tecnisa

Todos sabem que o mercado imobiliário não para de crescer no Brasil, fruto das baixas taxas de juros e financiamentos acessíveis às novas classes sociais. É um fenômeno econômico que aconteceu no México, Chile, Espanha e agora se consolida por aqui. Nessa onda, surge o público GLBT - que já representa 14% da população brasileira - e apresenta-se como uma oportunidade interessantíssima para o segmento.
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Desde 2003, a construtora Tecnisa adota um posicionamento Gay Friendly - algo tão novo quanto previsível -, e o que é símbolo de preconceito para uns, é negócio lucrativo para outros. Mas apesar de se entender que trata-se de um público com alto poder aquisitivo e exigente com os detalhes, deve-se adotar um cuidado redobrado na concepção dos produtos e, principalmente, nos esforços de relacionamento. Denílson Novelli, gerente de e-business da Tecnisa, destaca que a marca não busca oferecer um empreendimento cor-de-rosa. O público gay é, antes de tudo, inteligente, por isso, a empresa busca a customização dos apartamentos de acordo com os desejos desses consumidores.

Já o Marketing, bem, o Marketing exige ainda mais sutileza na abordagem - desde o treinamento da equipe de contato com o cliente até o anúncio que sai na revista. É um cuidado que ainda vira-se para o público heterossexual, que tende a não aceitar bem o fato de adquirir o produto de uma marca 100% gay. Pelo que tenho visto, esse não parece ser o caso da Tecnisa, que apesar do apelo, tem apenas 12% das vendas vindas desse novo público. A questão é que a estratégia já rende frutos, e o posicionamento inovador dentro de um segmento tão tradicional já foi até citado em um dos livros de Philip Kotler: Princípios de Marketing.

O anúncio acima exemplifica bem esse posicionamento, e apesar de pecar levemente nos conceitos, já demonstra que a receptividade das pessoas em cima do assunto mudou. Lembro quando comentei, em 2007, neste mesmo blog, uma polêmica campanha da Duloren, que mostrava o beijo na boca entre pessoas do mesmo sexo. A mesma campanha, hoje, ganha ares menos perplexos. As pessoas tendem a se acostumar com tudo, até mesmo com o que contraria regras construídas durante vários e vários séculos. Tudo em nome dos negócios, diga-se de passagem.

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