quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Filme com publicitário: Bebel, Garota-Propaganda

Quando iniciei essa categoria de posts, há mais ou menos 232 dias, jamais imaginaria que postaria um filme como “Bebel, Garota-Propaganda”. Porém, antes de passar a sinopse e minha análise do publicitário em questão, um breve parágrafo extraordinariamente necessário.

Imagine uma produção de baixo custo de 1967, com a ditadura militar censurando tudo no Brasil. Agora imagine a vida de um publicitário e todas as outras pessoas envolvidas no processo de tornar público um produto. Imagine ainda algo diferente de tudo o que você está acostumado a ver nos filmes atuais, desde os roteiros comercialmente viáveis até as impecáveis composições de cenários. Acredite, esse filme, de alguma forma, faz imaginar sobre muitas coisas raramente questionadas.

Bebel (Rossana Ghessa) é uma linda jovem que está decidida a fazer sucesso no mundo artístico. Logo no começo do filme ela é contratada pelo publicitário Marcos (John Herbert), para ser o símbolo nacional da marca de sabonetes “Love”. Em pouquíssimo tempo, a imagem da Bebel é vista pelo país inteiro graças a eficiências das mídias convencionais da época, como painéis, jornais e televisão. Um mundo promissor de fama e dinheiro parece estar se concretizando na vida da jovem, porém, assim que a campanha termina, Bebel cai no esquecimento e tem de retornar ao ponto de partida.

Obrigada a reconquistar o sucesso perdido, a modelo procura novas agências de publicidade, estúdios fotográficos e acaba encontrando todos os perigos representados pelos homens que comandam esse sucesso. Todos alegam que sua imagem ficou fortemente ligada à campanha do sabonete, e ninguém a quer para novos trabalhos. Aos poucos, a moça desce as escadas do mundo da publicidade até os lugares mais sórdidos, terminando como "prêmio" entre frequentadores de cabarés.

O filme questiona claramente os valores veiculados pela indústria cultural e a banalização da mulher. Para se ter uma ideia, os originais do romance “Bebel que a Cidade Comeu” ainda estavam datilografados e sem título quando Maurice Capovilla – o diretor do filme - escreveu sua adaptação para o cinema. Bebel integra-se à perfeição nesse cortejo de personagens que a sociedade se encarrega de iludir e conduzir a um inevitável fracasso.

Já o publicitário é retratado como o grande cara das ideias. A defesa que ele faz da sua campanha é formidável. Fala com a autoridade de quem entende absolutamente tudo a respeito do negócio que lida. Legal também para lembrar como os apelos de sucesso na década de 60 não surtiria efeito algum no mercado que conhecemos hoje.

Elenco:
Rossana Ghessa Bebel
John Herbert Marcos
Paulo José Bernardo
Geraldo D'rey Marcelo
Maurício do Vale Renatão
Washington Fernandes Walter
Fernando Peixoto
Joana Fomm
Norah Fontes
Apolo Silveira
Adonis de Oliveira
Fernando Barros
Maria Luiza Fragata
Álvaro Bittencourt
Marta Greis
Norah Fontes
Carlos Imperial
Raquel Klabin
Diogo PAcheco
Maurício Nabuco
Mino Carta
The Bells
Bibi Vogel
Luiz Alberto Meireles
Dakalafe

Título original: Bebel, Garota-Propaganda
Direção: Maurice Capovilla
Gênero: Drama
Origem: Brasil
Ano: 1967
Duração: 103 minutos
Estúdio: Alpha Filmes C.P.S. Produções Cinematográficas George Jonas Produções Cinematográficas Saga Filmes
Trailer: -
Site: -

:: Nota do blogueiro: 8.5
Por quê?
É realmente difícil manter um critério nesses casos, mas optei por dar uma nota alta devido à peculiaridade desse título dentro da nossa galeria de filmes com publicitários. Também considero como sendo uma obra altamente recomendada aos amantes de cinema, de propaganda e principalmente, de tendências.

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3 comentários:

Liliane Silva disse...

Seu blog é uma verdadeira "utilidade pública"!, quer dizer, "utilidade publicitária"!!! Sou recém formada em publicidade e estou com sede de aprender e me inteirar mais e mais sobre o mercado publicitário... Você posta assuntos interessantíssimos, parabéns!

Anônimo disse...

Admiro seus comentários e seus filmes.Vou te recomendar um filme que tem a publicidade como pano de fundo.O filme é Retrato Falado De Uma Mulher Sem Pudor, com Monique Lafond de 1982.

Luciano Marino disse...

Anônimo, obrigado pela dica, vou buscar esse filme para postá-lo aqui.

>> Se possível, me passe seu nome, para que eu possa citá-lo nos créditos.

abs,