sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Revolução é coisa de desocupado

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Eu vi isso no conterrâneo Jacaré Banguela e me senti na obrigação de ajustar para a linguagem deste blog, trata-se de uma entrevista do jornal O Globo com o escritor/blogueiro José Saramago. Um dos assuntos era o badalado Twitter, nada muito novo ou digno de alguma percepção mais séria, se não fosse dito por José Saramago.

Antes de comentar a entrevista, veja este pequeno diálogo entre um garoto e um velho numa praça qualquer. Dizia ele:

- Vocês não sabem o que é internet, no tempo de vocês não tinha nem celular. Televisão era para os ricos e uma viagem para outro continente demorava meses. Vocês não entendem essa modernidade toda porque o mundo evoluiu e vocês envelheceram, nunca tiveram essas facilidades.

Eis que o velho responde:

- Você está certo, não tivemos, por isso criamos tudo isso para vocês.

Vou ainda mais além nesse estranho raciocínio e pergunto: o que estamos ganhando com as tais facilidades referidas pelo garoto?

Celular com Bluetooth serve para que mesmo? Televisão é popular, mas ela contamina tudo, ocupa o tempo das pessoas que poderiam estar planejando revoluções. A novela das oito, ainda que vista pelo Youtube, não deixa ninguém pensar em revolução. A propaganda cria um estereótipo que jamais alcançaremos, mas dedicamos 80 anos da vida para tentar ir atrás dessas bobagens. Para que? Quem precisa de uma maldita revolução?

O mundo de fato evoluiu, mas a progressão nos levou a uma geração sem peso na história. Uma geração inteira que não lê e não escreve - como deveria. A retribalização que eu tanto gosto de citar trouxe algumas vantagens, são soluções versáteis para um mundo moderno. Nada além disso.

Pense antes de vangloriar-se com o novo chip que está sendo desenvolvido ou a nanotecnologia que fará um novo milagre ser mais uma conquista da ciência. Enquanto 274 milhões de novos computadores são vendidos por ano no mundo, a água é poluída e você entende menos o que está acontecendo com você. E estamos apenas começando. O que acontecerá então, quando nós, os garotos, não sabermos mais o que é a internet?

:: Repare que na definição de José Saramago, há 140 caracteres, sem contar os espaços. Sinistro.
:: Blog de José Saramago: http://caderno.josesaramago.org/

3 comentários:

kArEn disse...

Nossa, poucas vezes me surpreendi e concordei tanto com alguma crítica a respeito da tecnologia, da revolução.

Temos que admitir, apesar de eu ser uma adepta de celular, computador, etc, concordo que ao invés de melhorar, pode estar piorando muitos aspectos da vida e do mundo.

Você usou as palavras certas. Adorei.

Luiz Gustavo - Lula disse...

Assino embaixo. Apesar de ser adepto a todos esses meios, chegará uma época que não saberemos mais distinguir entre o virtual(ou digital) e o real.

Tyler disse...

projeto caos!