quarta-feira, 26 de agosto de 2009

É muito mais que um jogo

Há muitas semanas atrás eu recebi o inusitado convite do publicitário Leandro Magalhães, um grande amigo remanescente da faculdade, disse ele: "Luciano, vamos jogar tênis?" Eu pensei: "Por que não?" E então tudo começou.

Reservamos um horário de almoço para ir ao centro da cidade para comprar as raquetes - Wilson -, logicamente. E entre uma loja de esportes e outra descobrimos que não tratava-se de uma missão tão simples quanto aparentava. Raquetes de tênis era um produto em falta no mercado, talvez fruto da popularização do esporte de Gustavo Kuerten. Sem perder as esperanças, fomos a um shopping e lá conseguimos a ferramenta para dar as primeiras raquetadas, 145 reais com Mastercard.

O segundo passo era se associar a um clube que tivesse quadras de tênis. O Círculo Militar de Cuiabá se apresentou como a melhor opção em todos os sentidos: Produto, Preço, Praça e Promoção. Na mesma semana, embalados pelo entusiasmo, marcamos de nos encontrar e finalmente por o plano em prática.

Sábado, 6h30, fazia frio na sempre quente Cuiabá, e lá estávamos nós prontos para começar. Trajados conforme manda o figurino do nobre esporte, fizemos um breve aquecimento atrapalhados pela ansiedade. Quando meu amigo lançou a primeira bola eu, completamente sem estilo, soltei o braço direito e acertei em cheio aquela bolinha peluda e incrivelmente amarela. A peculiar onomatopeia "ploch", mais a sensação de estar fazendo algo pela primeira vez, somados à toda técnica que mostrava-se necessária para conseguir passar a bola para o outro lado, tudo isso criou em mim uma imensa vontade de fazer aquilo para sempre. Foi amor a primeira vista, e logo eu, que tinha certeza que essas coisas não existiam - foi fantástico!

Sete meses depois continuo com a mesma - ou ainda mais - paixão pelo esporte. Faço aulas duas vezes por semana - quartas e sábados - e jogo mais duas ou três vezes ainda, ou seja, pego numa raquete cinco dias por semana - as vezes este número chega a sete. Estou viciado, troquei a raquete por uma melhor: Babolat Drive Z tour, 300 reais com Mastercard. Aprendi todas as empunhaduras necessárias para cada golpe, consigo usar a esquerda tanto para o slice quanto o revés, um grande avanço. O primeiro serviço e a devolução de saque são disparados meus principais pontos fortes. Descobri da forma mais empírica possível que as bolinhas da linha Gold da Babolat são mais duradouras que as da linha Trophy ou mesmo a Wilson 4. Comprei uma raqueteira profissional com espaço para seis raquetes (mais 130 pratas), senti como é necessário um bom grip e uma munhequeira no punho direito. Uma final de Grand Slam já tem quase a mesma importância que uma semifinal de Libertadores da América, e se me perguntassem hoje o que eu preferiria entre conhecer o All England Club ou o Maracanã, não teria dúvidas em optar pelo templo sagrado da bolinha amarela.

Por que eu descrevi tudo isso? Porque o tênis é, pelo menos para mim, muito mais que um esporte. Sintetizando tudo o que observei nesses últimos meses, descobri que em muitos aspectos, o esporte se assemelha a minha vida profissional e pessoal. Em várias situações dentro de um set dependemos do lado emocional, é preciso ter um controle incrível das emoções que podem jogar contra ou a favor. É assim na vida, é assim no trabalho. Um game perdido não representa que o jogo está comprometido, é apenas um game. A chance de acerto é diretamente proporcional ao risco que se assume, contando que se tenha sorte. Você sente a melhora no seu jogo conforme faz as repetições, com paciência o jogo aparece como se brotasse de você. É a gratificante e preciosa oportunidade de assumir o controle das coisas.

Jogar tênis me ensinou que tudo o que eu preciso para vencer está dentro de mim. Não é apenas colocar a bolinha na quadra do adversário de forma que ele não a alcance. Não. É muito mais que isso, existem milhares de formas de buscar o ponto, de se saber a hora precisa de subir a rede. Eu me sinto incrivelmente vivo quando jogo tênis. É você buscando o melhor de você, sempre. Raciocínio rápido, força, concentração, técnica, foco, é você contra um cara que quer superá-lo. Não é apenas um jogo, é um treino de como você pode encarar a sua vida. Por isso é um esporte individual, por isso é necessário silêncio. Jogar tênis me fez entender melhor até onde meus limites me desafiam.

1 comentários:

Anônimo disse...

Incrivel este post... vc escreve, descreve, narra, relata, muito bem!! faz de algo que para muitos pode ser banal, um texto muito interessante de ser ler... parabens.

Gessica