segunda-feira, 21 de abril de 2008

Abap contra restrições à propaganda de cerveja

Este é o filme assinado pela F/Nazca para a ABAP (Associação Brasileira das Agências de Publicidade). O vídeo é uma resposta ao CONAR (Conselho de Auto-Regulamentação Publicitária) que quer restringir as propagandas de bebidas alcóolicas (inclusive cerveja) no Brasil. A campanha inclui também anúncio para jornal. Mas antes de assistir ao filme, vamos a cena do capítulo anterior.
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No dia 10 de abril de 2008, começaram a vigorar as novas restrições do Conar para a propaganda de bebidas alcóolicas. Determinam, por exemplo, que são vedados o apelo imperativo de consumo e a oferta exagerada de unidades do produto. Estabelecem também o princípio da proteção a crianças e adolescentes, que não podem ser público-alvo.
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De acordo com as novas regras, as peças publicitárias também não podem ter apelo sensual, nem associar o consumo de álcool a coragem, sucesso ou poder de sedução. E a advertência "Beba com moderação" ganha variações, como "Quem bebe menos, se diverte mais" ou "Não exagere no consumo". As novas restrições estão disponíveis para consulta no site do Conar, acesse aqui.
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Sinceramente, eu não gosto de comentar esse tipo de assunto por aqui, mas não podemos ficar de fora dessa polêmica. O mínimo que temos que fazer quanto publicitários, é ter uma boa opinião formada a respeito, e pelo amor de deus, defendê-la com alguma coerência. Então, veja o que está sendo veiculado em cadeia nacional pela Abap:
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Achei que o apelo é muito pertinente, afinal de contas, não é a publicidade quem deve ser responsabilizada por acidentes, brigas ou qualquer outro transtorno oriundo do excessivo consumo de álcool. Tiro o exemplo do cigarro, que mesmo após a proibição dos seus comerciais, não fez com que o número de fumantes diminuísse.
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Por outro lado, vejam esse filme também da Abap incentivando as marcas a fazerem propaganda. O que me chamou a atenção foi o fato da cerveja ser novamente o centro das atenções. Analisando mais friamente o comercial, veja como é fácil entender o lado do Conar.
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Na mesa têm cinco sujeitos e todos beberão cerveja, provavelmente não ficarão apenas na primeira, e é aí que surge a pergunta: Quem vai dirigir? Cadê o carinha que não bebe para levar os demais em segurança até o conforto do seu lar? Outra pergunta: Isso é uma forma de incentivo, ou seja, de ignogar de certa forma a conduta de não beber e dirigir?
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Para ser bem sincero, eu penso o seguinte: Nesse tipo de queda-de-braço, a propaganda estará sempre em xeque. É por isso que eu defendo tanto os anúncios com bons conceitos. Deve-se pensar nas segundas, terceiras, quartas leituras que uma propaganda gera, mesmo que em estágios subliminares.
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Colegas, há uma possibilidade, ainda que remota, de estarmos caminhando para o fim de uma das profissiões mais antigas do mundo - (estudos mostram uma tabuleta em argila encontrada por arqueólogos, a qual continha inscrições babilônicas, anunciando a venda de gado e alimentos, demonstrando que já se utilizava de algum tipo de publicidade na antiguidade).
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Eu sei que é uma previsão apocalíptica, mas raciocine comigo. Muitos profissionais estão cada vez mais mal pagos, proibem a propaganda de cigarros, querem proibir a de cerveja, todo aquele status dos anos 80 e 90 já não existe mais e pelo que já li por aí, tem projeto oferecendo dinheiro para publicitários trocarem de profissão (detalhes aqui).
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E como se não fosse o bastante, tem até uma ação de anti-propaganda distribuindo adesivos para colar em anúncios. "You don't need it" - (Você não precisa disso), diz o adesivo colado em um painel publicitário, e uma seta vermelha aponta para o produto anunciado. A ação de guerrilha da Anti-Advertising Agency, projeto do artista Steve Lambert, que luta contra a propaganda e sua presença ostensiva. Os adesivos são distribuidos gratuitamente.
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E para finalizar, a questão é: Seria hora de uma revolução?
Ah, esqueci, ninguém faz revolução de barriga cheia, é preciso piorar um pouco mais as coisas.
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Fontes: Blue Bus e Wikipédia

5 comentários:

Propaganda da Vez disse...

O assunto é realmente polêmico... e como você próprio disse: "O mínimo que temos que fazer quanto publicitários, é ter uma boa opinião formada a respeito, e pelo amor de deus, defendê-la com alguma coerência". Publicitário ou não, é importante ter uma opinião formada sobre este assunto.

A propaganda da Abap é realmente impactante e leva a reflexões, mas não se pode negar que a publicidade aumenta o consumo de álcool e o consumo de álcool está diretamente ligado aos inúmeros acidentes nas estradas. Só não sei se isto é o bastante para a proibição.

Quanto a "Tiro o exemplo do cigarro, que mesmo após a proibição dos seus comerciais, não fez com que o número de fumantes diminuísse.", ACHO que já li dizendo o contrário, mas procurei e não achei nada sobre o assunto...

Propaganda da Vez disse...

Para incrementar o ótimo post acima, veja a propaganda da ABAP que está sendo veiculada em revistas, relacionando a publicidade com os abridores de garrafa: http://propagandadavez.blogspot.com/2008/04/abap-proibio-dos-comerciais-de-cervejas.html

Rebeca Vieira disse...

Muito boa a matéria. Sou estudante de Publicidade de Vitoria - ES, e sou uma daquelas que não sabia em que lado ficar e Ainda estou me decidindo. Gostei muito do seu blog e quero linká-lo no meu. Se você quiser me linkar também, esteja à vontade.
Parabéns!

Anônimo disse...

O mesmo "protesto" foi feito na proibição da propaganda de cigarro. Eu acho pertinente a proibição porque se a propaganda não incentivasse o consumo, não haveria a própria necessidade da propaganda.

Somente para "informar" o consumidor para uma melhor escolha não é um boa justificativa já que outras marcas ficam de fora porque muitas vezes não tem o capital necessário para investir. Neste caso, onde está a "liberdade de expressão" das outras marcas? Está limitada no que podem investir.

Além disso, segundo uma reportagem da Veja (http://veja.abril.com.br/230800/p_104.html) o consumo do cigarro reduziu na proibição da propaganda.

Maioria "sensata" ou minoria que "viola", voto pela proibição.

Carlos

Cintya disse...

Estava aqui fazendo pesquisas sobre o assunto pra fazer um artigo pra faculdade... li muuuuitas coisas, tanto de um lado como de outro. Penso como o Carlos, também voto pela proibição, acho que a publicidade sabe se reinventar e isso não é motivo para o fim da publicidade como profissão... acho que não podemos ser tão egoístas a ponto de pensarmos somente em "vender, vender e vender", a RESTRIÇÃO, e não PROIBIÇÃO, é uma questão de saúde pública, acho que tá na hora de pensar uma nova estratégia que atinja o consumidor certo, todas as pesquisas apontam para um consumo de bebidas alcoolicas cada vez mais precoce entre os jovens, que é um público que ainda não está pronto para decidir o que é ou não melhor, e simplesmente entram na "modinha" do momento apenas para se sentir aceito em seus grupos.
E sobre a distribuição dos adesivos, já é uma realidade nas agências européias, principalmente na alemanha, agências de publicidade com uma visão "epicurista", que não vende sentimentos, mas a venda do produto em si! E elas fazem sucesso... Tem um DVD muito bom sobre isso... assim que eu souber o nome vou comentar aqui pra quem tiver interesse em se informar sobre esse assunto!