domingo, 4 de março de 2007

Snickers. Energia que dá porrada



Lá vem eu meter o pau em mais um belo comercial criado e produzido mundo afora. Já vi esse filme da Snickers em vários blogs, com comentários dos respectivos autores e visitantes opinando sobre o visual incrível e um áudio muito bem trabalhado. Eu também gostei muito da produção, não tenho do que reclamar nos quesitos técnicos dessa digamos, obra de arte da propaganda contemporânea. Mas, e como sempre tem um "mas", odiei o conceito, achei de extremo mal gosto abordar uma forma de violência para vender energia. Eu explico.

A proposta principal é dizer que a Snickers - uma famosa marca de chocolate, não deixa você parado, ou seja, inativo. Sendo assim, utilizou ícones clássicos que remetem movimento e estástica, ou seja, aqueles bonequinhos do semáforo que representam siga e páre. Numa batalha urbana, com muitos socos e pontapés o comercial dá a vitória aos bonequinhos verdes.

Depois de ver algumas vezes seguidas o filme me perguntei: É essa a colaboração que o anunciante dá a sociedade? Não sei vocês, mas eu me canso de ligar a televisão e ver manifestações sangrentas, com a população insandecida em combate com policiais, exércitos, etc. Brigas corporais, bombas de efeito moral, balas de borracha, todo esse tipo de violência é tão lamentável que a propaganda não precisa levar esse modelo para dentro de um mundo que imaginamos ser melhor, ou seja, aquele mundo da propaganda de margarina, da família feliz, da qualidade de vida almeijada por quase todos.

E essa não é a primeira vez que a Snickers parte pra esse tipo de apelo pra vender seus chocolates, vejam também esse outro filme veiculado há algum tempo.



Dois homens se beijam acidentalmente após dividir um chocolate, e para comprovar que não são gays, arrancam pêlos de seus próprios peitos. O filme foi tão polêmico que chegou a ser retirado do ar por grupos ativistas que o consideraram preconceituoso.

Dessa forma meus amigos, entendo que antes de nos maravilharmos com os fantásticos efeitos visuais e sonoros do que assistimos, devemos pensar se aquilo não agride de alguma forma as pessoas. Ou pior ainda, será que aquilo não incentiva atitudes impensadas. Nunca devemos esquecer que a propaganda é também, uma forma de educar, ditar comportamentos e promover uma realidade menos estúpida.

Para a produção:

Para o conceito:

1 comentários:

Osmar Costa disse...

Concordo!!!! O visual, a animação, a idéia e o som são sensacionais, mas ao invés de usar brigas, poderiam ser danças de rua, já que os bonecos ficam nas ruas e o acender de um e de outro, tá mais pra ritmo do que pra brigas. Ficaria um show o comercial.