quarta-feira, 21 de junho de 2006

Adeus Bussunda

Muito se falou sobre qual seria a reação da Antárctica após a notícia da morte do seu principal garoto-propaganda durante a Copa do Mundo, o grande Bussunda. Afinal, sentimentos a parte, não pega nada bem vender uma bebida com a imagem de um morto no noticiário, pelo menos é o que reza a cartilha dos publicitários. Por enquanto, está indo ao ar este vídeo com uma respeitosa homenagem ao humosrista, no site também há um pequeno manifesto.

Outra incógnita é o futuro dos cassetas sem o Marrentinho Carioca no time, porque não foi só o Bussunda que morreu lá na Alemanha. Morreu também o "Casseta & Planeta", uma das cinco maiores audiências da Globo. Ele simplesmente personificava o espírito de galhofa do programa. Encarnava um tipo brasileiro, de fácil identificação pela periferia e esnobado pela elite: o gorducho boa praça, louco por futebol, mulher e cerveja. Nem por isso um bronco - pelo contrário, era bem ligado ao seu meio social, com um senso crítico permeado de bom humor. Não deverá ser substituído. A atração das noites de terça deve seguir o destino do extinto "Trapalhões", desfeito após a morte de Zacarias em 1990 e Mussum em 1994: o telespectador terá a sensação de que "está faltando alguma coisa", perderá o interesse e esquecerá o programa.

Óbvio: ainda é cedo para discutir em público o tempo que resta ao "Casseta & Planeta". A turma de humoristas ainda está abalada com a morte. Neste momento, seria desrespeitoso e desumano especular sobre os prejuízos financeiros dessa "indústria do humor", que desponta no final dos anos 70 como um fanzine na Universidade Federal do Rio de Janeiro, vira um tablóide e depois uma revista nos anos 80, e "chega lá" no início dos anos 90 com um contrato com a Rede Globo, estreando em abril de 1992.

Mas seria ingênuo imaginar que a cúpula da maior emissora do país vai demorar em elaborar cenários para o horário nobre das terças-feiras, peça relevante na sua grade de programação -inclusive financeira, já que o "Casseta & Planeta" é uma verdadeira "máquina de fazer dinheiro", de forte apelo publicitário, inclusive na propaganda indireta de novelas da casa.

Uma coisa é certa nisso tudo, sentiremos falta deste talento, deste ícone de vender cervejas, deste grande e criativo cérebro que era, na maioria das vezes, usado para o bem. Todos perderam nessa copa, inclusive a propaganda brasileira.

Fonte: Folha On Line

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